Medos da Meia Noite.
O Monstro da Janela.
Parte 2;
Olhei lentamente a extensão do quarto e vi que o vidro da janela tinha realmente quebrado, mas não em milhões de pedaços. Talvez algumas centenas.
Quando meus olhos repousaram sobre a cabeceira percebi que o abajur tinha sumido. Fiquei sentado na cama e decidi levantar para olhar o quarto por inteiro.
Com cuidado para não cortar meus pés com os cacos no chão, andei até o centro do quarto e de lá pude ver no que ele tinha se transformado.
Parecia que um tornado tinha entrado alí. Meus bonecos tinham caído da prateleira, assim como alguns livros de contos de fada.
Um galho da mangueira do vovô tinha entrado pela janela e rasgado a cortina.
Foi ele que quebrou a janela.
Demorou um pouco, mas encontrei o abajur.
Com a janela quebrada, a chuva molhou a cabeceira, e ela ficou escorregadia. O vento empurrou o abajur que caiu em cima de uma almofada e por isso não quebrou. Como o vento estava forte ele rolou até o pé da minha cama, fazendo o barulho "oco".
O abajur era o andar do monstro.
Como a cortina estava rasgada, quando o vento soprava parte dela cobria a minha cama. Por isso eu sentia que o monstro estava em cima de mim.
O pedaço de cortina era a sombra do monstro.
Só que tudo isso não teria ganho vida se não fosse pela minha imaginação e, principalmente, pelos meus medos.
Eles eram o monstro.
No almoço contei para mamãe e papai o que tinha acontecido. Papai disse :
- Viu, isso que dá ler estórias de terror antes de dormir.
Então mamãe perguntou:
- Querido , agora que você sabe que não era um monstro , o que você aprendeu?
E eu respondi confiante, porém preocupado:
- Mãe, eu sei que o monstro de ontem era imaginação minha, mas acho que depois de consertar, o papai tem que reforçar a janela.
Ela perguntou o porquê e eu respondi:
- Se um gravetinho conseguiu quebrar o vidro imagine se fosse um monstro de verdade!
Pensamentos, Músicas, poesias e passagens que encontro ao longo das minhas muitas viagens pelas dimensões e universos da imaginação. E as do Coração.
Postagem em destaque!
As Lágrimas de Lis.
Ela se sentia triste. Não era "mais uma crise" como sua mãe costumava dizer quando a via trancada em seu quarto escutando The Smit...
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sexta-feira, 27 de maio de 2016
O Monstro da Janela - Parte 1(Medos da Meia Noite)
Medos da Meia Noite.
O Monstro da Janela.
Era uma noite sem lua. O vento forte fazia a janela tremer. O mundo parecia querer invadir o pequeno cômodo que era o meu quarto. Já não sabia se o lençol e o cobertor, que acreditava serem escudos intransponíveis que me defendiam dos monstros das histórias de papai, me protegeriam do que estava querendo entrar.
Mesmo sem convicção, me cobri todo, me escondi debaixo de camadas e camadas de pano e comecei a rezar.
Então ouvi o barulho estridente do vidro da janela, partindo-se em milhões de pedaços, e indo ao encontro do chão.
No mesmo instante o ar ficou frio, mas tão frio, que tremi como se mamãe tivesse me pego no flagra comendo a sobremesa antes do jantar.
Então algo entrou no quarto. Claro que não vi o que, estava com os olhos fechados e debaixo das cobertas, mas ouvia seus passos perfeitamente uma vez que nenhum outro ruído se fazia. Eu nem respirava de tanto medo!
A coisa vinha em minha direção. De um passo ao outro transcorria uma eternidade em que eu pensava se valia a pena sair do meu esconderijo, não tão secreto, e correr para a cama dos meus pais ou ficar paradinho onde estava, implorando a Deus que a coisa, além de lenta, fosse cega.
Mas para o meu azar a coisa descobriu exatamente onde eu estava, pois acelerou o passo e com um som oco parou ao lado da minha cama!
Eu sabia que não tinha mais esperanças de fugir para o colo da mamãe então fiz o que toda criança faria em uma situação dessas:
Virei para a parede.
E assim fiquei até que abri os olhos e vi que já era de manhã.
O Monstro da Janela.
Era uma noite sem lua. O vento forte fazia a janela tremer. O mundo parecia querer invadir o pequeno cômodo que era o meu quarto. Já não sabia se o lençol e o cobertor, que acreditava serem escudos intransponíveis que me defendiam dos monstros das histórias de papai, me protegeriam do que estava querendo entrar.
Mesmo sem convicção, me cobri todo, me escondi debaixo de camadas e camadas de pano e comecei a rezar.
Então ouvi o barulho estridente do vidro da janela, partindo-se em milhões de pedaços, e indo ao encontro do chão.
No mesmo instante o ar ficou frio, mas tão frio, que tremi como se mamãe tivesse me pego no flagra comendo a sobremesa antes do jantar.
Então algo entrou no quarto. Claro que não vi o que, estava com os olhos fechados e debaixo das cobertas, mas ouvia seus passos perfeitamente uma vez que nenhum outro ruído se fazia. Eu nem respirava de tanto medo!
A coisa vinha em minha direção. De um passo ao outro transcorria uma eternidade em que eu pensava se valia a pena sair do meu esconderijo, não tão secreto, e correr para a cama dos meus pais ou ficar paradinho onde estava, implorando a Deus que a coisa, além de lenta, fosse cega.
Mas para o meu azar a coisa descobriu exatamente onde eu estava, pois acelerou o passo e com um som oco parou ao lado da minha cama!
Eu sabia que não tinha mais esperanças de fugir para o colo da mamãe então fiz o que toda criança faria em uma situação dessas:
Virei para a parede.
E assim fiquei até que abri os olhos e vi que já era de manhã.
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