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As Lágrimas de Lis.

Ela se sentia triste. Não era "mais uma crise" como sua mãe costumava dizer quando a via trancada em seu quarto escutando The Smit...

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terça-feira, 25 de abril de 2017

O Diário de Lis. Passagens

"Esse é o sentimento que eu não queria sentir. Pensei que tinha me livrado dele de vez. Outra frustração.

Aqui à espera do ônibus me vejo outra vez cercada por pessoas que não tenho vínculo algum. Sozinha em meio a multidão.

Estou seca, mas por dentro a chuva  me tira o calor e o silêncio me devora. Mas não estou apavorada, apenas triste.

Triste por me sentir vazia outra vez"


Lis.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

As Lágrimas de Lis. Fragmento II

Em meio à melancolia ela tomou uma decisão. Lentamente, como se cada movimento fosse um novo confrontar com o fato de que aquilo tudo realmente aconteceu, Lis se virou para a cômoda ao lado da cama e esticando o braço alcançou as duas ferramentas necessárias para a tarefa que se propusera fazer.

Com caneta e seu diário na mão ela fechou os olhos, deixando-se levar novamente para os primeiros momentos daqueles três dias. Não escreveu mais nada desde a noite anterior ao desfecho daquele final de semana. Algumas lágrimas saltaram de seu rosto e marcaram as páginas em branco do caderno de capa aveludada e coloração também roxa, em tons mais escuros que os de suas mechas.

Tentou enxugar as lágrimas antes que elas pudessem danificar os relatos tão importantes para si, porém acabou rasgando a folha molhada. Assim que a retirou se deparou com a última página que escreveu.

Com delicadeza, como se estivesse manuseando uma taça de cristal que pudesse se quebrar com qualquer movimento mais brusco, Lis virou as páginas até chegar ao dia 11 de julho de 2014. Deu-se algum tempo e assim que se acalmou um pouco mais poi-se a ler, desde o início, tudo que viu, escutou e sentiu no chalé nas montanhas do Rio de Janeiro.

Começará uma viajem de volta ao tempo em que suas lágrimas do agora ainda não tinham razão de ser.

sábado, 9 de julho de 2016

As Lágrimas de Lis.

Ela se sentia triste. Não era "mais uma crise" como sua mãe costumava dizer quando a via trancada em seu quarto escutando The Smiths, Pearl Jam e Legião. Era uma sensação, ou melhor, um conjunto de sensações que ultrapassavam os limites de uma típica "fase adolescente". Ela se sentia abandonada.

Ali, deitada no seu quarto e virada para a parede, a menina dos cachos compridos e mechas roxas sentia uma dor perpassar e impregnar cada fibra do seu corpo. E cada soluço era como se o mundo desabasse dentro dela. O seu mundo; Os seus sonhos.

Mesmo chovendo não estava tão fria aquela madrugada de segunda, em meados de julho, mas Lis não conseguia parar de tremer. Aliás, ela não parava de chorar. Seus sentimentos misturavam-se com Black, que por sua vez, ecoava e se misturava com as paredes e sombras de seu quarto, iluminado apenas pela luz da rua que passava pelo vão entre as cortinas. Aquele cenário era uma pintura exata de como a garota estava por dentro; em diferentes tons de preto.

Já haviam se passado nove dias, mas tudo que ela vivenciou no final de semana anterior ainda estava bem vivo em sua memória, corpo e alma. Eram marcas que, de uma forma ou de outra, não sumirão com o tempo, muito menos com palavras de consolo ou abraços de pessoas que se importavam, ou não, com a garota. Algumas irão se tornar cicatrizes, outras em alguma coisa que só o tempo e noites como aquela poderão dar sentido.

Mas tudo aquilo não lhe causava tanta dor por causa dos momentos ruins. O que estava fazendo com que Lis vivesse aquele luto era o fato de que vivera os melhores momentos de sua vida em três dias, intensos do início ao fim, e que podiam ter sido muitos. Essa era a parte que mais a machucava: o "podiam".

As únicas coisas eternas que ela conhecia eram suas lágrimas e os motivos por trás delas.

(Continua)